Um encontro de almas que atravessou anos-luz. A jornada do herói entre o vime dourado e o fogo sagrado. Onde o amor não é líquido, é olaria tridimensional Introdução Há histórias que não pertencem apenas ao tempo, mas às águas e aos mistérios que nos moldam. Publico hoje este conto de meu pai, Ayrton Pellanda Franco , como quem lança uma flâmula ao vento para eternizar sua essência. Ser mestiço em todos os sentidos — entre o céu do aviador e a terra do indígena, entre o rigor do cientista e a alma do artista — ele foi pai e mãe, inventando o realismo fantástico para que pudéssemos atravessar as mais altas ondas do mar da vida. Convido você a embarcar nesta nAve , onde o amor é a única bússola capaz de guiar o herói de volta para casa. O Conto Reza a lenda que, em um sábado de criação à beira da Lagoa dos Patos, em Tapes, deu-se um encontro que a própria razão desconhece. João, em meio aos juncos, percebeu um brilho incomum: um balaio de vime ...
Quem guarda o acordeom no fole do peito e a franqueza do nome no espírito transforma a fragilidade e a saudade em sinfonia; e abre os poros-portos à poesia. No Litoral da Alma, repouso meu olhar de um flanar criança — sempre aberto à eterna novidade do mundo — sobre o tablado do meu Bloco Mágico. Sob a regência da Maestrina Maria, sigo escutando as canções dos meus celestiais, sabendo que a minha aposta na vida é a única música que o silêncio não ousa interromper. A fotografia mostra o que foi; a palavra revela o que per-manece. No encontro da imagem com o b-rio, o tempo se curva à Musa, e a Música se torna a única eternidade possível. O Veleiro de Ontens agora singra em poeMar aberto, movido pelo sopro da Maria e guiado pelo prumo do Franco (Flecha Ligeira): Ele é a precisão da flecha que aponta para o destino. Sob o sopro da Maestrina e o prumo do Flecha Ligeira, a vida se torna a música que o horizonte nunca cansa de ouvir. Abreijos de fole-pleno da polifonia...